sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Adeus "Sr. Carlos"

Sentada no escritório onde tenho a minha empresa sediada atualmente, numa pacata rua de Benfica, olho pela janela da loja que ocupo no rés-do-chão e vejo um cortejo fúnebre a passar.

Hoje faleceu o "Sr. Carlos".
Faleceu de repente e viveu toda a vida nesta rua que, numa parte ínfima, considero também como minha há mais de 1 ano e meio.
Não conhecia o "Sr. Carlos" mas na manhã de hoje não se falava de outra coisa nos cafés e estabelecimentos de uma rua que, afinal, não é minha mas sim das pessoas que a habitam há anos e que partilham a solidão de envelhecer, sozinhas, numa pacata rua de Benfica, em Lisboa.
Todos se foram despedir do "Sr. Carlos" percorrendo a rua que percorrem diariamente mas, desta vez, atrás de um carro fúnebre, caminhando pelo meio da estrada.

Este cortejo integrava todas as pessoas que passam pela loja / escritório todos os dias.
Muitas já nos conhecem também como parte integrante deste bairro.
Param na loja para nos cumprimentar. Questionam-se sobre o tipo de negócio que temos, estranhando não ser outro tipo de serviço qualquer.
"Ó menina, mas o que fazem aqui?"
"Temos uma empresa que se dedica ao trabalho com música, músicos, bandas, eventos, etc..."
"Ahhhh ok. Mas a mim dava-me mesmo jeito era uma peixaria", lamenta uma das senhoras que todos os dias nos bate no vidro da loja.
E que todos os dias nos prova que está viva. E bem.

Tenho pensado muito em formas de tornar a vida destes idosos, no mínimo, um pouco menos solitária. Certamente, não sairei de Benfica sem desenvolver algum tipo de ação que os envolva e lhes dê uma sensação de acompanhamento, realização e bem-estar que só o contacto com outros seres humanos lhes poderá trazer.
Mas isto não se resolve com "uma ação". Ajudava um plano mais alargado e concreto sendo que eu nem sei por onde começar.

Até lá, tenho a porta da loja aberta para a vida que acontece neste pacato bairro onde as pessoas compram pão fresco na padaria, tomam o café na pastelaria de sempre, compram os jornais do dia e preparam as refeições diárias com produtos frescos. Na "minha" loja terão sempre um sorriso e uma porta aberta para que quando partirem, como o "Sr. Carlos", seja menos vazio. Ou quero eu pensar que sim...

Além da chuva e vento que têm assolado Lisboa durante o dia de hoje, 22 de novembro de 2019, o dia também ficou mais triste porque o bairro perdeu o "Sr. Carlos".

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Dance, dance, dance till you're dead!


Na minha vida há uma banda sonora para quase tudo.

Inclusivamente, um dos sonhos utópicos que tenho é o de poder ter a oportunidade de, no fim de vida, rever tudo, pelos menos os momentos mais importantes, com a banda sonora adequada.
De preferência com a sensação de que vivi a vida a 100%. Com tudo a que tenho direito.

Nos últimos 10 anos as bandas sonoras de cada fase ou momento foram ainda mais marcantes: a banda sonora da minha viagem definitiva para Londres, diferente da banda sonora das várias horas que passei em transportes públicos lá, diferente da banda sonora do meu regresso e também muito diferente da banda sonora dos últimos anos, das várias viagens e momentos especiais.

Por mais voltas que dê, há sempre músicas fortes, com ritmo, guitarras e baterias.
Maioritariamente músicas que me transmitem boa energia porque é esse o papel que a música e a cultura em geral cumprem na minha vida. Nunca fui de grandes momentos de introspeção ou de remoer aquilo que me acontece. Por isso a cultura cumpre o papel de me animar, deslumbrar e trazer a melhor energia.

Vivo o presente como se fosse o último "presente" que vou ter na vida sempre com um olho no futuro que me fascina porque representa o desconhecido, o desafio, a agitação que me alimenta. Danço todos os dias, nem que seja na minha cabeça.

Nessas bandas sonoras há sempre músicas "sexy". Músicas que me fazem sentir mais interessante, mais atraente, mais poderosa. Que me fazem dançar, mesmo que só na minha cabeça, de uma forma arrojada e sem preconceitos.

Esta é uma dessas músicas, "The Future Starts Slow" dos The Kills.
Tocou em repeat hoje a caminho de casa e, como estou de volta à rotina dos transportes públicos, fez-me sentir uma bailarina incrível nos túneis do metro e corredores do autocarro.

ENJOY! 


A "arte" de ficar sozinha...

... ou a dura tentativa de sobreviver a isso?!

Não sou católica praticante.
Não acredito em Deus.
Nem na ideia de destino ou "energias superiores".

Acredito, no entanto, na necessidade de acreditar em algo que nos dá força e vontade de contiuar sempre.
Assim, acredito nas pessoas. Nas minhas pessoas.
Na força das pessoas que me rodeiam e no quanto me inspiram.
Também acredito em mim mas nada seria sozinha sem o feedback de quem navega pelo mundo ao meu lado, partilhando vitórias, derrotas, alegrias, tristezas, aventuras, detalhes e todas as experiências que nos tornam seres humanos únicos. Diferentes de qualquer robot pré-programado.

Essa crença nas "minhas pessoas" traz, inevitavelmente, expectativas porque me dá conforto pensar que estarão lá para mim quando, em momentos extremamente raros, precisar de me atirar no vazio e que alguém me agarre com um abraço e uma palavra amiga, sem censuras.
Que me agarre de tal forma que, nem que seja só por um momento, sinta que está tudo bem.

Utopia?
Quero acreditar que não.
Quero acreditar que dou o suficiente para aspirar receber isso em troca.

A imagem que passo é de extrema eficácia em tudo: vida pessoal, vida profissional, capacidade de resolução, capacidade de demonstrar empatia pelas pessoas e situações mais estranhas... Toda a eficácia do mundo, numa só pessoa que é o rochedo de 2/3 das pessoas que a rodeiam.

But guess what...?!
Esse "rochedo" libertou-se e começou a rolar numa viagem assustadora que deseja que seja positiva e leve a algo melhor do que tinha. E precisa da confiança das pessoas em que acredita para que, em conjunto, acreditem nesta mudança.
Os melhores momentos da minha vida foram vividos ao lado das "minhas" pessoas e pelos seus olhos que preciso que, neste momento, vejam as minhas fragilidades com o mesmo orgulho que vêem as inúmeras vitórias.

Because:
She takes just like a woman, yes she does
She makes love just like a woman, yes she does
And she aches just like a woman
But she breaks just like a little girl.

- Bob Dylan -

Yes. That's me. And still proud 💜💙💚💛❤️

terça-feira, 27 de março de 2018

De regresso ao meu laboratório privado!

Hoje lembrei-me que quando fui viver para Londres comecei a escrever neste espaço que criei para partilhar o turbilhão de emoções e experiências que estava a viver. Para partilhar tudo isso com aqueles que sentiam a minha falta e que estando longe, passavam a sentir-se mais perto de mim através das minhas palavras.

A última entrada neste laboratório privado é de abril de 2009, momento a partir do qual o meu laboratório passou a ser partilhado com alguém que durante 9 anos ocupou com distinção esse lugar.

Esta semana, sem sair de Lisboa, começa uma nova aventura.
Um novo momento que, muito provavelmente, vou querer partilhar neste laboratório privado.
Apenas por ser um novo momento cheio de desafios e, espero eu, cheio de boas energias.

Tal como escrevi quando tudo começou: "Just seat back and enjoy the ride..."

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A vida é feita de escolhas...

...E a minha escolha mais recente foi vir para Londres e até hoje não me lembro de ter tomado uma decisão tão acertada.

No entanto, quando estamos longe, há sempre momentos em que as saudades são mais fortes. São umas saudades muito específicas, de lugares onde fomos felizes, de momentos que nos marcaram.

O meu lugar?! A Graça...

Lá fui feliz desde o momento em que aluguei a casa na Rua Damasceno Monteiro até ao minuto em que me vim embora de Lisboa para Londres. Lá vivi com grandes amigos como colegas de casa e passámos momentos maravilhosos. Festas de santo antónio com casa cheia, jantares em que quando olhavamos para o relógio eram 5 da manhã e a diversão tinha feito o tempo correr por nós. Lá chorei cada vez que chegava estafada de 15h de trabalho, lá celebrei novos empregos e promoções no trabalho, lá ri até cair com o meu João, lá aconteceu tudo de bom =).

O melhor de tudo é saber que me lembro de tudo isto porque lá fui feliz, porque vivi cada segundo passado naquela casa intensamente, especialmente as longas conversas, acompanhadas de vinho tinto, na varanda do meu quarto com a melhor vista de Lisboa!

Saudades saborosas de momentos que nunca deixarão de ser meus, de ser nossos!

Um brinde à Damasceno!!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A liberdade...

De vez em quando paramos para pensar nas coisas...
Eu sempre parei para pensar demasiado e aprendi, há relativamente pouco tempo a, simplesmente viver. No entanto, como tenho um espírito inquieto e que diversas vezes se questiona, ainda tenho momentos em que a minha cabeca me atraico-a e sou levada por pensamentos longínquos.

Normalmente isso tem acontecido nas minhas viagens de aviao...
Como agora vivo numa ilha as viagens de aviao tem sido constantes, felizmente, e quando nao adormeco que nem um bebe, penso sobre a minha vida.

A ultima viagem de aviao que fiz foi de Lisboa para Londres há menos de 1 semana.
Tive uma estadia maravilhosa, rodeada de amigos, embora continuem a falhar aqueles encontros com pessoas com menos flexibilidade ou a quem a agenda nao se apresenta tao leve nos GRANDES 4 dias em que estou na minha Lisboa.

The point is...A caminho de Londres pus-me a pensar e sinto-me livre.

Quando somos jovens o nosso sonho é ser livre: livrarmo-nos dos pais, da família, das obrigacoes da escola, dos objectivos que estabelecem para nós, das normas sobre as quais somos obrigados a viver.
Depois crescemos e percebemos que a verdadeira liberdade talvez nao seja a libertacao de todas as convencoes mas sim, arranjar o nosso espaco, a nossa individualidade e realizar "os nossos sonhos" convivendo com as convencoes da sociedade que nos rodeia.
Nesse sentido, descobri que a liberdade, hoje em dia, se vive e se compra com muito trabalho.

Considero-me um exemplo disso. Tenho um trabalho que nao me faz levantar da cama todos os dias com um sorriso, que nao me preenche a nível profissional e que é desempenhado dentro de um escritório em frente a um computador. Mas por outro lado esse trabalho permite-me viajar e acordar em sítios diferentes pelo menos 1 vez por mes, com um sorriso na cara porque estou a realizar o meu sonho de comecar a conhecer o mundo que nos rodeia.

Nesse nível ainda vou na aldeia porque o mundo tem muito para oferecer e eu conheco muito pouco mas a ideia de continuar faz-me sorrir de manha.

Relativizar as coisas funcionais em nome de emocoes únicas é um verdadeiro lema para mim!

terça-feira, 10 de março de 2009

Um excelente programa de Sábado à tarde


Num dia de trabalho igual a tantos outros, mas especial por ser o aniversário de uma grande amiga, uma luzinha piscou no meu gmail com um convite irrecusável: "Tenho convites para uma sessão de cinema especial que faz parte do Festival de Cinema em que estou a trabalhar como voluntária!"
Mesmo sem saber muito bem o que iria ver aceitei o convite sem hesitar, especialmente porque vinha de alguém cujo gosto e sensibilidade para o cinema são inigualáveis.
No Sábado, às 17:00h, um pouco antes da hora marcada encontramo-nos e depois de pedir um Cappuccino num bar atribulado do BFI (British Film Instute) no Southbank, entrámos na sala onde iria ser projectado o filme...Ou devo dizer, onde seria apresentado o espectáculo...
Depois de uma breve apresentação sobre o Festival em que se inseria esta performance entra em palco uma mulher lindíssima, cheia de presença e vestida a rigor de acordo com o espectáculo que nos ia apresentar.
Começa então a projecção do filme!
Um filme dos anos 20, adaptação de uma peça de Oscar Wilde, com actores excêntricos e cenas exageradas mas muito interessante.
E de repente ela começa a cantar...
O filme, até pela época de que data, é um filme mudo que vive muito da capacidade de expressão das personagens que o interpretam. No entanto, naquela tarde, este filme viveu da interpretação fabulosa de Bishi, a dita cantora que apresentou, juntamente com a sua banda, a banda sonora de todo o filme ao vivo.
Assim, eu e a minha companheira de artes podemos assistir a um filme acompanhado de banda sonora ao vivo ou será melhor dizer de um concerto tocante com um filme de fundo?
Uma experiência maravilhosa que viveu da garra com que Bishi interpretou todo o filme e nos arrepiou com a sua voz.
Sem dúvida uma cantora a seguir e um evento inesquecível!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Recuperar o tempo perdido...

Natal, passagem de ano, visitas relampago a casa...

Tudo contribuiu para que durante este período nao conseguisse actualizar o meu blog.

Com este post prometo que vou tentar comecar o ano em grande e revitalizar este espaco onde se devem trocar ideias e apresentar novidades de terras de sua majestade e outras por onde vá passando =).

Até breve =)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

All aboard for Lates!

Há algum tempo que queria escrever um post sobre este conceito - "Lates".

Como quase todos sabem a cultura em Londres borbulha além de ser de fácil acesso!
Existem sempre imensas novidades e a maioria dos eventos sao gratuitos. Mesmo assim, creio que ainda há coisas que nos podem surpreender pela positiva e que demonstram um grande aproveitamento dos espacos culturais além de alguma preocupacao com quem trabalha no duro durante toda a semana (claramente estou incluída neste último grupo :D )

Assim surge o conceito "Lates" que consiste no facto de quase todos os museus, algumas galerias e salas de espectáculos estarem abertos até mais tarde e permitirem às pessoas, nao só verem as exposicoes permanentes até, por exemplo, às 21h como ainda assistir a espectaculos que ocorrem depois do normal horário de encerramento dos museus.

Por exemplo, na National Portrait Gallery, é possível ver a exposicao da fotografa Annie Leibovitz durante a tarde e depois assistir a uma curta metragem sobre o trabalho e vida dela com participacao de nome sonantes como Hillary Clinton, Mick Jagger and Yoko Ono...Ah, e claro que tudo isto GRATUITAMENTE =)

Aqui fica uma sugestao para quem vive em Londres, visita ou quer visitar Londres e também para aqueles que um dia poderao, eventualmente, implementar este tipo de eventos em Portugal.

Para os mais curiosos e interessados:
www.lates.org

domingo, 23 de novembro de 2008

Hoje acordei...


...E foi esta a imagem que vi da minha janela =)

Sempre pensei no que estaria do outro lado do arco-íris.

Será que existe mesmo um pote de ouro como defende a tradição irlandesa?! Ou a resposta para a felicidade eterna como alguns gostam de pensar?!

Dispenso explicações científicas sobre a luz reflectida nas gotas de água etc...


Seja qual for a explicação, o que importa é que imagens como estas são LINDAS!


sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Manhas difícieis...

(Aviso aos leitores: este post será escrito sem acentos e cedilhas devido à limitacao to teclado =) )

Para mim TODAS as manhas sao difíceis...
Acordar cedo e convencer-me de que vale a pena levantar-me da cama às 7 da manha é algo que me atormenta desde pequena...E conheco quem possa comprovar =)
Nao posso evitar alguma ironia e dizer que isto claramente acontece porque nasci às 3:25 da tarde logo nao é concebível para mim acordar antes de determinada hora...CLARAMENTE =)
De qualquer forma hoje está um daqueles dias típicos de Outono: o Sol brilha timidamente, está muito vento mas ao mesmo tempo as cores das árvores, jardins e ruas estao mais bonitas e vibrantes que nunca!
Tudo isto sao coisas que nos dao algum alento...
Enquanto me convenco que vou ter de comecar o meu dia de trabalho partilho convosco um pensamento diário: I hate mornings!!!!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

E agora um apontamento cultural =)

Quem me conhece ou já teve o "prazer" de me acompanhar nos meus passeios por Londres sabe o quanto adoro o Southbank. Se fosse possível ter apenas um sítio preferido nesta cidade este seria o meu, sem sombra de dúvida.

Outro dia, depois do trabalho, arranquei para o Southbank para jantar com uma amiga.
Um restaurante oriental fantástico cuja especialidade é "dumplings", uma espécie de almofadas de massa transparente e muito saborosa com recheios óptimos!
O melhor de sempre é que os diversos pratos são servidos em pirâmide e é um verdadeiro desafio ir abrindo as diversas caixinhas =)

Depois do jantar fomos dar uma volta e entrámos no Royal Albert Hall.
De repente estávamos na exposição World Press Photo. Sorrimos uma para a outra e lembramo-nos das filas intermináveis no CCB para ver esta exposição e no preço do bilhete que pagamos diversos anos seguidos.

Desta vez fomos surpreendidas pela World Press Photo ao entrar numa das salas de espectáculos mais bonitas de Londres e, melhor ainda, não pagamos nada por isso.

Além disso, importa referir que este ano, pela primeira vez desde 1980, o grande vencedor da World Press Photo foi um fotografo inglês que colabora com a Vanity Fair. Esse facto em vez de contribuir para bilhetes de preços exagerados apenas aumenta o interesse da exposição juntos de todos os visitantes que a podem apreciar de forma gratuita =)

Para quando uma arte democrática e ainda mais acessível em PT?

Importa encarar a vida com um sorriso =)

Quem, como eu, vive em Londres hoje abriu os jornais e confrontou-se com a seguinte notícia: "O desemprego em Inglaterra chegou aos 1.82 milhões, o pior número desde há 11 anos".
Se pensarmos bem é como se toda a população de Lisboa estivesse desempregada de repente...
Assustador?!?!?!?

Claro que importa adaptar os números às dimensões do país e nunca se poderá comparar a economia inglesa com a portuguesa mas mesmo assim acaba por nos fazer pensar...

Confesso que os números valem o que valem e que acabo sempre por pensar nos casos que me são mais próximos...
Uma das grandes vantagens de Londres é ser possível conhecer gente de todo o mundo e ter uma experiência multi-cultural muito rica. Mas a grande desvantagem inerente a isso é aprender a dizer adeus a todas as pessoas que partilharam connosco momentos únicos e quase perfeitos mas que não partilham o timing da nossa vida e acabam por partir.

Neste momento começam a partir também por falta de emprego e questiono-me:
Não foi disto que eu me afastei?
Não era isto que queria deixar para trás para viver melhor?
Se eu consegui, porque não os outros que também tentaram?

Por aqui escrevem os peritos em economia (área que neste momento ocupa grande parte do meu dia...) que a crise irá durar no mínimo até 2010. Pelo menos nesse ano teremos Jogos Olímpicos por estas bandas o que poderá ajudar a melhorar =)

De qualquer forma, com crise ou sem ela esta cidade continua a vibrar, a oferecer eventos culturais inesquecíveis e a proporcionar momentos diferentes e únicos a quem não se deixa intimidar pelas distâncias e pela chuva que teima em cair. Mas não pensem os mais sonhadores que a resposta a todos os seus problemas em Portugal está numa vida desafogada em Londres!

Assim, gostava de deixar duas mensagens:
1o - Portugal não é assim tão mau como se possa pensar e tudo depende da perspectiva e daquilo que realmente se valoriza

2o - Como tudo na vida importa encarar esta crise com um sorriso e ser criativo. Importa perder tempo a pensar em soluções e em aproveitar o melhor possível aquilo que a vida nos oferece. Além disso, continuar a acreditar que com crise ou sem crise, quando queremos algo com muita força, isso passa a ser possível.

Mensagem de esperança?

domingo, 26 de outubro de 2008

De volta ao meu "Private Lab"

Hoje visitei o meu próprio blog e vi que a última vez que escrevi foi no fim de Julho...
O tempo passa realmente a correr e desde fim de Julho já aconteceu tanta coisa na minha vida, tanta coisa mudou, conheci tantas pessoas e lugares diferentes, trabalhei tanto, vivi tanta coisa!

Voltei ao meu blog porque decidi escrever sobre algo que aconteceu recentemente e me deixou a pensar.
Quando andamos na universidade somos pessoas cheias de sonhos e objectivos que queremos cumprir no nosso futuro que naquele momento nos parece cheio de possibilidades. Um dos objectivos que quase todos os jovens universitários perseguem é viver no estrangeiro mesmo que só por alguns meses, seja em Erasmus, Leonardo ou acabando por eventualmente mudar de malas e bagagens para uma aventura diferente.
Eu cumpri esse sonho que partilhei com a maioria dos meus amigos e por causa da realização desse sonho passei de perseguir o meu sonho para ser exemplo para outros.
Um grande amigo jornalista decidiu vir a Londres perceber a minha história e a de mais 3 amigos que neste momento partilham a vida comigo aqui em Londres.
O resultado desse trabalho foi publicado no Mundo Universitário, jornal dedicado a jovens universitários que ainda perseguem neste momento o sonho de viver no estrangeiro e ter experiências novas.

Concluindo, o que me deixa a pensar é como a nossa vida e as nossas escolhas podem ser exemplo e fonte de inspiração para outros, como de repente se podem tornar "notícia"...
Além disso, é engraçado perceber quanta curiosidade existe em relação ao estrangeiro, ao desconhecido e, neste caso, em relação a viver em Londres...

Para quem quiser espreitar: http://www.mundouniversitario.pt/docs/2787/_mu123.pdf

domingo, 27 de julho de 2008

É bom, muito bom, quando nos habituamos a viver a 100% na cidade que escolhemos...
Hoje foi um desses dias em que realmente me senti em casa e me senti totalmente absorvida pela beleza de um dos parques mais bonitos de Londres ao qual chamam o pulmão de Londres.
Hampstead Heath fica no norte da cidade e é um parque gigante que, entre outras coisas, tem diversos lagos onde se pode tomar um relaxante banho de água doce.
Hoje estiveram 27 graus em Londres e isso é algo que tem de se aproveitar...
Nunca se sabe quando é que voltam a estar 27 graus nem quando voltamos a ter um dia tão bonito, cheio de sol!
Assim sendo, tal como todos rumamos em direcção à praia nos dias de calor abrasador em Lisboa, aqui em Londres rumamos em direcção aos lagos.
O percurso é longo mas faz parte de viver em Londres ter de atravessar meia cidade para chegar onde quer que seja por isso, num domingo, o percurso até se torna agradável e sempre se descobre novas zonas da cidade até então desconhecidas.
Chegar ao lago é quase como chegar à praia...Apetece-nos logo saltar para a água, dar um mergulho, dar umas braçadas e ir descansar para a toalha debaixo de um sol abrasador que nos doura a pele e nos faz sentir muito bem...
Este foi o meu dia...Um dia em que pude vestir o biquini pela primeira vez desde o ano passado, em que usei uma toalha de praia, em que voltei a espalhar protector pela minha pele e em que dei um merecido mergulho debaixo de um sol abrasador.
A sensação de me deitar na relva em vez de me deitar na areia é óptima e de repente o meu sítio preferido passa a ser o jardim, o parque, o lago, em vez das praias cheias de gente, barulho e confusão.
De tudo o que nos rodeia na praia aquilo que faz mesmo falta é o barulho do mar ao longe..
Senti-me de férias na minha nova cidade, relaxei , dormitei ao sol e ao fim do dia é muito bom adormecer na minha nova cidade...

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Um milhão de Londrinos vai de férias

As aulas em Londres terminam esta 6ªfeira.
Pelo que percebi aqui não há 3 meses de férias para ninguém até porque não me parece que os pais aguentem os filhos 3 meses em casa eheheheh.
Como acabam as aulas e o período oficial de férias se impõe os londrinos vão em busca de locais com sol, calor, caipirinhas e muita animação :)

Assim aqui ficam as estatísticas para este fim de semana:
420.000 passageiros vão partir de Heathrow nos 107.500 vôos previstos
325.000 vão partir de Gatwick nos 65.300 vôos previstos
160.000 vão partir de Stansted nos 40.500 vôos previstos

Estes números são astronómicos. 107.500 vôos a partirem de um único aeroporto num fim de semana?!?!?!
Estamos mesmo noutra dimensão...

Remember the 80's...?


Koko, Camden Town, London UK.

É sábado à noite e a festa começa às 22h o que para Londres é totalmente normal.

Aqui a noite começa quando em Portugal estaríamos a preparar o jantar ou a beber o famoso café com amigos.

A fila é grande e muita gente decidiu aproveitar a última festa antes do fim do Verão organizada pela equipa Buttoned Down Disco.

O organizador deste evento é um DJ que decidiu começar a organizar pequenas festas entre amigos, amigos esses que foram trazendo os seus amigos e assim sucessivamente. Um género de festas muito popular e que, sem dúvida, tem resultados. Recebes um e-mail, imprimes o convite e arranjas-te para a festa, nada mais fácil!

O local: um antigo teatro londrino, recuperado com muito bom gosto e extremamente espaçoso.

O som: música de todos os géneros e de todas as épocas com especial incidência nos 80's de que sou grande fã

Uma bela forma de passar a noite de sábado num ambiente eclético, cheio de gente interessante!

Uma sugestão para quem estiver de férias em Londres durante um dos fins de semana em que se organiza esta festa!

http://www.buttoneddowndisco.com/index.html

terça-feira, 22 de julho de 2008

Wasabi Peas

Wasabi Peas, a minha descoberta mais recente.
Confesso que nunca comi esta delícia em Portugal nem nunca ouvi falar de tal coisa mas provavelmente até existe. Afinal hoje em dia a Europa é cada vez mais semelhante e os produtos estrangeiros importados existem de igual forma em todo o lado.
Mesmo assim, gostei tanto das Wasabi Peas que decidi partilhar convosco esta novidade.
Os amantes de sushi como eu certamente conhecem bem este ingrediente - wasabi.
Para aqueles que não conhecem é algo verde, espesso e picante que acompanha o sushi e que misturado com molho de soja dá um sabor único à comida japonesa.
As Wasabi Peas são como pequenos amendoíns, crocantes, mas que depois de estalarem na nossa boca se tornam picantes e às vezes até nos fazem chorar com a intensidade do sabor que nos invade os sentidos...
Perfeito para acompanhar com vinho branco!

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Knives and Drinks

Tal como diz o título, e perdoem-me o inglês, os dois principais problemas relacionados com jovens em Londres, e no Reino Unido em geral, são os crimes com armas brancas e o consumo de alcool em excesso.

Knife crime: Teenager stabbed to death in London...
Estes são os títulos quase diários dos jornais.
Desde Janeiro de 2008 já foram mortos 21 jovens em crimes relacionados com armas brancas em Londres.
Confesso que nunca assisti a nenhum desses crimes nem nunca me senti afectada por esta "onda de crime", segundo relatam os jornais, mas eles existem na realidade e os jovens são afectados por eles.
Todos tinham menos de 21 anos e alguns foram mortos por engano.
Perdoem-me a sinceridade mas estes crimes ocorrem sempre nos mesmo bairros, desenrolam-se entre membros de grupos organizados e estão normalmente relacionados com drogas ou assuntos mal resolvidos entre os grupos envolvidos. Se uma simples leitora e habitante de Londres consegue tirar estas ilações por simplesmente ler os jornais e informar-se sobre o que se passa na sua cidade, como é possível que a acção da polícia não se concentre nestas áreas e acima de tudo não tente prevenir a venda e distribuição de armas brancas junto dos jovens?
Se as campanhas de prevenção divulgadas junto dos jovens não estão a resultar provavelmente será necessário actuar juntos daqueles que vendem/distribuem as armas brancas aos jovens, aqueles que as tornam acessíveis e que já não serão tão jovens, digo eu!

O consumo de bebidas alcoolicas é o outro problema...
Neste momento estamos a assistir a uma enorme campanha de prevenção do consumo, apoiada e divulgada pelos media como não poderia deixar de ser, que se iniciou com a divulgação de uma reportagem sobre jovens entre os 18 e os 24 anos que sofrem de cirroses gravíssimas ou inclusivamente faleceram pelo consumo excessivo de alcool.
Sem dúvida um problema grave mas que terá uma explicação um pouco mais elaborada do que aquela que nos é transmitida. Claro que o consumo existe por ser possível comprar alcool mesmo sendo um menor e por haver fugas à lei mas também existe porque esse menor se quer desinibir e quer provar o seu lugar.

No meio de todas estas notícias e estas informações sobre os jovens ingleses questiono-me qual a imagem que passa para o público em geral sobre uma geração inteira de jovens. Os jovens que se envolvem em rixas e problemas e que consomem alcool em excesso ainda representam apenas uma pequena minoria de uma geração inteira de jovens ingleses e gostava que isso fosse ressalvado pelos media. A grande maioria dos jovens sofre com estas brigas entre grupos organizados, com outros jovens alcoolizados todo o tempo e, acima de tudo, com uma necessidade de afirmação enorme numa sociedade exigente em que todos temos de ser magros, bonitos, vestir a roupa da moda e estar a par de todas as novidades e alterações por mais pequenas e insignificantes que sejam.

Outro dia falava com uma amiga sobre um inquérito que fizeram aqui a raparigas de 12 anos sobre a sua aparência e o que não gostavam nelas. Todas tinham algo a apontar e todas queriam ser mais magras ou mais altas ou ter o nariz mais pequeno, etc...
De todas, apenas uma respondeu, timidamente, que gostava da sua aparência e que isso não representava um problema para ela...

Depois desta reflexão questiono-me se os principais problemas dos jovens ingleses (e quem sabe dos jovens em geral) serão mesmo os crimes com armas brancas e o consumo de alcool em excesso...?

It's been a long time...


Há muito tempo que não dedicava alguns minutos ao meu blog...

Adoro escrever, e manter este blog sempre actualizado foi um prazer, mas por vezes há momentos em que a ansiedade, a grandiosidade do que vivemos ou simplesmente a angústia nos deixam sem palavras...

Nos últimos tempos a quantidade de vivências e sentimentos difusos deixou-me mesmo sem palavras mas estou de volta e PROMETO ter este blog sempre actualizado com as novidades da ilha!

Momentos especiais, concertos, exposições, curiosidades...haverá de tudo um pouco!